Artigo de Opinião: “Inclusão? Mas vocês sabem o que é inclusão?”

Tornou-se costume – desde há muito tempo – falarmos todos (e muito) dos problemas das pessoas com deficiência.
Ora, primeiro há que chamar os nomes certos às coisas… convencionou-se à algumas décadas que chamar “mongolóide” ou “deficiente” a alguém era um insulto, e eu concordo vivamente. Mas quando começamos a juntar nesta cesta todo e qualquer termo, como se não pudéssemos dizer “pessoa com deficiência” porque fica mal… não me lixem!
Vamos promover a Inclusão! Temos de ser inclusivos! É preciso criar coisas inclusivas, bué fixes e inovadoras.
Um dos pontos deste discurso é que a Inclusão não se cria, não se implementa, não se “inova”, se precisamos de inovar para sermos inclusivos é porque estamos agora a chegar a um sitio onde já deveríamos estar há largos anos. Mas, vamos por partes.
Abreviando o discurso, ser Inclusivo, é conseguir chegar a todos, isto é algo que custa muito a entrar em muitas cabecinhas fechadas, que ainda acham que inclusão é criar condições especiais para pessoas especiais. Mudamos o nome, mudamos a forma de eles viverem, e até mudamos a forma de olhar para eles, sem perceber que isso é estar a excluir. Ora, primeiro há que chamar os nomes certos às coisas… convencionou-se à algumas décadas que chamar “mongolóide” ou “deficiente” a alguém era um insulto, e eu concordo vivamente. Mas quando começamos a juntar nesta cesta todo e qualquer termo, como se não pudéssemos dizer “pessoa com deficiência” porque fica mal… não me lixem!
É uma pessoa? É! Tem uma deficiência? Tem! Então porque raio não é uma pessoa com deficiência e é uma pessoa “especial”, isso é meio caminho andado para a exclusão.
“Mas depois se eu não criar medidas especiais, aquela pessoa não vai conseguir fazer…”
Exatamente!
E agora eu respondo com uma pergunta paradoxal:
“Com todas as condições à disposição, a pessoa não faz porquê?”
Resposta simples: Porque não está incluída.
Antes de falarem em Inclusão, antes de dizerem que querem cidades, empresas, entidades e instituições inclusivas, estudem, chamem quem sabe para vos ensinar.
Largo aqui um desabafo: Por favor parem! Vocês não sabem o que é inclusão.
O conceito de inclusão, deve começar em tudo, em casa, na escola, na comunidade, no emprego… e digo-vos honestamente e sem filtros: “Inclusão” todos sabem dizer… poucos sabem o que é!
Por isso deixo esta mensagem, a diretores, chefes, chefias e chefões, presidentes, coordenadores, e outros decisores e não decisores:
Antes de falarem em Inclusão, antes de dizerem que querem cidades, empresas, entidades e instituições inclusivas, estudem, chamem quem sabe para vos ensinar.
Largo aqui um desabafo: Por favor parem! Vocês não sabem o que é inclusão.
Não estraguem, não façam sem saber o que estão a fazer. A inclusão não é uma obra, não é uma medida e não é um recurso. É certamente aquela cidadania que nos falta sem a qual todas nossas ações perdem significado. Ser “inclusivo” implica deixar de ser chico-esperto, deixar de querer ser mais que os outros, de passar à frente na fila do supermercado porque só tem 4 coisinhas na mão, deixar de querer ter direitos que não existem, deixar de querer tratar diferente, quem já é diferente. A inclusão só funciona se for para todos.
MOSTRA AO MUNDO, QUE O MUNDO MUDOU!